Posts de Janeiro, 2008

A invasão da Portelinha

Janeiro 31, 2008

Que Paraíso Tropical era infinitamente superior a Duas Caras, nem discuto – personagens mais ricos, trama mais divertida e dose dupla de Negrini pra esquecer do Willian Bonner. Sem contar que a Marjore é terrivelmente ruim, disputando com Ferraço, seu antagonista, o papel de pior coadjuvante da história da TV brasileira. Contudo, os capítulos da invasão da favela da portelinha (números 82 e 83) foi formidável.

Resumindo, um grupo de pau-mandado do Marconi Ferraço foi destacado para a favela horizontal para dar fim em Juvenal “Fagundes” Antena. Não sei exatamente os interesses motivadores – além, é claro, se livrar dos personagens não-populares – como veremos mais adiante.

A tomada começa com “Assim Falou Zaratustra” de trilha, igual ao 2001-Uma odisséia no Espaço, no que seria o primeiro delírio da direção da novela. Além disso, slow motion e Marília Gabriela com um escudo de botox à prova de tiros na face, enquanto os evangélicos rezam pelo fim pacífico do conflito – seria um ataque do roteirista ao conglomerado Record?

Crente atingida

É de uma personagem do núcleo crente que sai a primeira vítima. Em enlouquecida carreira, uma crente se mete na frente do tiroteio e é morta. Minutos depois, uma mãe de santo é atingida no terreiro, por se recusar a sair do local.

Os personagens estavam cortados do elenco. Podemos voltar à trama.

A pontaria, tanto dos invasores quanto da turma Carga Pesada dentro da favela era horrível, incalculável de tão ruim. Para ter idéia, em uma cena antológica Fagundes dá um incrível tiro de bazuca apenas como advertência, já que não acertou ninguém. Foi bem escalado o experiente ator para a cena, já que deve ser difícil demais dar um tiro desses e não acertar ninguém. Além disso, todas as armas dos resistentes estavam escondidas sob uma tábua na casa do fagundão, já que ele não usa a força bruta normalmente para mandar na Portelinha.

Bazuca1

bazuca 2

Outro que escondia uma garrucha em casa era o Nuno leal Maia, favelado e multifacetado, já que interpreta um surfista (de trem) em Duas Caras. Ele pega no trabuco e senta na mureta do seu barraco, abrindo fogo mais desprotegido que mulher de mini-saia em baile funk. Mesmo assim, por milagre, ele não é atingido. Vale ressaltar o esforço da mulher dele, que foi atucanar no meio do tiroteio, como se tivesse entrando num bingo.

Nuno leal fera

Não contentes com o absurdo, a turma de Juvenal se defende da saraivada tombando uma mesa de sinuca e ficando atrás do tampo de madeira. Sim, pelos próximos 30 minutos de novela, os atores se protegem de tiros de metralhadora com um compensado que a gente consegue furar com uma tacada mais forte.

Juvenal contra o desarmamento

Depois ainda tem morte do Peréio, flashback da infância do Fagundes e tudo mais que temos direito. A melhor parte é esta aqui, o resto basta buscar no Youtube e assistir. Melhor que ver na TV.

Carnavalizado

Janeiro 31, 2008

Sou do tempo que rodar a baiana era dar nota baixa pra Gal Costa na prova de matemática.

Ao vento

Janeiro 25, 2008

Texto meu pra Zero Hora, caderno Moínhos de vento, editorado pela Mirella. Texto sobre a vizinhança, a pedido, com toda alegria escrito. Espero que as barreiras geográficas não deturpem o entendimento do leitor não-porto alegrense (sorte sua).
EU E MEU BAIRRO

Viver entre Auxiliadora, São João e Higienópolis significa levar uma vida de altos e baixos. E eu não estou falando dos tropeços e reerguidas da classe média brasileira causada pelas mudanças na economia, tão pouco do vai e vem dos elevadores. Estou falando da topografia local.

Quando os açorianos escolheram um banhado para fundar a cidade, tudo que não queriam era sair dos planos. Mas os casais do Porto tiveram tantos filhos que povoar tudo em volta foi inevitável. Bairros periféricos, colinas para o sul, para o norte e até mesmo aterros no Guaíba – tudo habitado. Assim, dois séculos depois, no alto de um morro que antes era só horizonte, fui apresentado à minha cidade.

Não me queixo, mas se somos o lugar que moramos, não posso ignorar que cada decisão da minha vida de pedestre passa por subir ou descer uma ladeira. Desde os tempos de correr atrás da bola que descia a Von Kozeritz até hoje, quando toda manhã escolho entre o caminho mais longo e o mais íngreme.

Uso critérios definidos pela experiência, como fazem muitos vizinhos. Se está frio, melhor ir por vias mais acidentadas, aquecendo os músculos e ganhando tempo. Se o calor úmido nos atinge, o ideal é evitar o suor por ruas arborizadas e com pouco movimento, evitando o asfalto quase incandescente do verão.

Seja como for, se dizem que a alegria está no caminho, e não na chegada, não tenho como discordar. Enquanto os bairros que me cercam estiverem ao alcance dos meus tênis, seguirei Felicíssimo por ai.

Mini jogos, longa tarde.

Janeiro 24, 2008

Quinta-feira de tarde. No total, a semana já está perdida. Logo, nada melhor do que perder um precioso tempo com uma das menos dignas e educativas atividades já concebidas pelo ser humano: o joguinho online.

De 1 a 10, algumas métricas que ajudam a compreender a natureza de cada desafio.

(Clique na imagem para jogar).

Canadair.

Canadair

Seu objetivo é pegar água no laguinho com o hidroavião e jogar sobre o incêndio, acabando com as chamas na mata. Os cuidados a tomar são na aproximação da água, para não virar decoração do fundo marinho, e com os pássaros, que incendeiam as turbinas do avião em caso de impacto.

Dica: mantenha a velocidade sempre no azul, ali no velocímetro.

Concentração: média – tem que decorar os trajetos das fases, e se te interrompem com trabalho, você se arrebenta e tem que começar do início.

Satistação: baixa – é muito difícil. Nunca passei da terceira fase. Contudo, tem alguma graça em dominar o manche (não me interprete de forma errada).

Vector Tower Defence.

Vectoids
Jogos do estilo tower defence existem a dar com pau. Contudo, os Vectoids são a forma mais legal que achei, já que ela é simplificada. Nos gráficos, não na dificuldade, que fique claro.

Colocando as torres e enxergando claramente a radiografia de forças do jogo, fica divertido e viciante matar os bichanos.

Dica: desaceleradores valem mais que a própria vida neste joguinho.

Concentração: baixa – dá pra deixar o jogo aberto e jogar ao longo dos dias. Ele acontece sozinho, o que é bom demais.

Satisfação: alta – o desafio cresce com a sabedoria do jogador. Ideal para o tipo de divertimento que propõe.

Black Sails.

Black sails

Esse jogo me conquistou pelo visual, e me fez conquistar o América do século 16 com meu barco pirata. Você navega armado até os dentes e participa de batalhas contra outras embarcações, pilhando ouro e armas. Demorei para traçar uma estratégia, mas adorei.

Grite A-yar no trabalho e compre barcos para suas aventuras em alto-mar.

Concentração: média – nos momentos de combate, é fundamental. De resto, dá pra deixar a marola bater no casto e dormir na proa.

Satisfação: média – tem um momento que conquistar o mundo vira uma obsessão, e você já jogou tanto que não tem porque não chegar no final. Mais que prazer, senti alívio ao saquear a última cidade.

How well do you know your world?

Mapa jogo

Indique a localização de cidades e pontos turísticos indicados com a maior precisão possível. Simples e divertido, mas tenso, já que os pontos são calculados de acordo com a distância da sua marcação.

Concentração: máxima – o jogo tem tempo e ele não pára. No momento que começa o jogar, ele pede exclusividade.

Satisfação: alta – sempre acabamos aprendendo com o jogo, o que tira aquela sensação horrenda de tempo perdido.

Divirtam-se,  como me divirto sendo amigo do Saulo, que me passou o link do jogo dos mapas!

2088

Janeiro 23, 2008

Ano mundial da luta contra o erro de digitação.

Para ver os fogos

Janeiro 23, 2008

O próximo reveillon é a última chance para usar um daqueles óculos onde os arcos para as lentes são os zeros lado a lado, da centena e da dezena. Inaugurada no ano 2000, a série seguiu intacta até este ano, contudo, a partir da década que vem tudo irá mudar.

Um 1 no meio do 2010, 2011 e por aí adiante também é um 1 no meio do nariz – nunca agradável. A próxima chance de juntar dois zeros é só em 2100, sendo que ficará um 21 de um lado e nada do outro, estranho para um par de óculos. Além de causar muito desequilíbrio na hora de saltar ondinhas.

Ainda dá para improvisar em 2060, usando a bolinha do 6 para enfiar o olho esquerdo e ficar pisando com puro charme na hora da virada. Mas um extremista jamais aceitaria esta hipótese. O rosto é assimétrico, o óculos não.

Freud Attack!

Janeiro 22, 2008

Sonhei que eu tinha entrado como participante do BBB. E por incrível que parece, realmente a gente esquece que está sendo filmado. Pelo menos quando se está no estado de sono profundo.

Participei de uma espécie de prova do líder, onde eu atirava uma laranja em um dos brothers sentados em cadeiras de praia. Ficava uma marca de suco neles, e eu podia ir lá socar onde estivesse marcado. Quem sobrevivesse, ganhava algum privilégio.

Não cheguei a ver qual era, já que consegui escapar da casa, não sei como. Só sei que dividia um chevette com um matador de aluguel, sendo que eu tinha que me esconder do grande público – dado ao meu alto grau de popularidade adquirido na casa. Tanto eu quando o bandido tínhamos tarefas a cumprir.

Ele parava em bares para acertar contas enquanto eu esperava no carro. Depois eu ia até o meu trabalho para pegar dicas de como faturar um milhão e ser mais carismático. Sei que tudo deu certo e voltei pra casa.

Novamente vigiado, uma mulher meio suja de lama me disse que eu não era querido pelos brothers. Ainda bem que era sexta, senão eu tava certo no paredão.

Tataravô – são 14 tatás

Janeiro 21, 2008

O que é isso?

10000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000

000000000000000000000000000000000.

É Googol. E não estou falando dos feitos da empresa Google, mas sim do numeral que deu origem ao seu nome. Segundo seu criador, Milton Sirotta, Googol (ou google) é o maior número que o ser humano seria capaz de distinguir, assim como faz com mil, milhão ou bilhão. A diferença é o tamanho da tapioca, o 1 seguido de cem zeros. Se vir um google por ai, não confunda.

Achei infinitamente legal, e achei vocês iam querer saber.

Faz um Wonder

Janeiro 21, 2008

Um poste de luz custa, aproximadamente, 15 mil reais. Se você calcular quanto dinheiro público é gasto apenas no seu quarteirão com estes espigões de concreto, vai concluir como é revoltante que por falta de lâmpadas baratas você fique na penumbra.

Quem já viu uma criança aprendendo a falar, imagina como é complexo a alfabetização. Pegar toda uma língua riquíssima em simbolismos e simplificar os fonemas e suas entonações em 26 letras. E, depois de decorar e aprender a desenhar todas, montar palavras dentro de regras gramaticais estabelecidas que ajudam a formar nosso pensamento e o de todos que dividem o idioma com a gente. Frente a este esforço de preencher o escuro de conhecimento, achar tempo e ler 10 páginas de um livro por dia é um esforço mínimo. Tão pequeno que nem dá para imaginar que não fazemos.

Passando pra coisas menos palpáveis que nos deixam às escuras, temos a educação sentimental. Acontece com tantos tropeços e aos solavancos, custa tantas horas de sono e milhões de fórmulas e testes em revistas adolescentes que nem posso pesar o investimento

Frente a isso, ligar agora pra ela(e) e dizer de surpresa o quando a(o) ama, definitivamente, não custa nada.

ImpedFest

Janeiro 16, 2008

Vem aí o primeiro encontro dos leitores do Impedimento, site com que colaboro.
Tudo desculpa para postar o lindo convite, criado por Felipe Fornari, com maestria e com pequena ajuda minha. Orgulho do assistente de ouro aqui do trabalho.

Impedfest

(Clique paga ver em tamanho monstro).

Canal Bial, vital.

Janeiro 15, 2008

Sei por onde eu andava, mas não onde estava com a cabeça que não percebi que precisava avisar sobre o Concurso Nacional de Poesia Ruim criado por Emiliano Urbim. Além de prêmios geniais para os 3 primeiros colocados, uma bandeira de Portugal, uma fronha do pequeno príncipe e um sinalizador de churrascaria – o concurso dava o tema.

Todos os poemas deveriam ser criados em cima de uma foto de Pedro Bial, exposta no blog Hotel Emiliano – justificando o nome Canal Bial ao concurso.

Agora a carreira terminou.

Resta dar os parabéns a Nasi, Joelma e Egs pelos prêmios e tentar me desculpar publicando versos, pensados com um coração cheio de amor batuta e com alma de grande irmão.

24 horas
ou
Amor que todos podem ver.

Com menos amigos
A cada semana
Cê é o (meu) anjo
Que ao povo engana;

Tem meu voto
E minha proteção
Amor sem igual
Que contei para Bial.