Ao vento

By Menezes

Texto meu pra Zero Hora, caderno Moínhos de vento, editorado pela Mirella. Texto sobre a vizinhança, a pedido, com toda alegria escrito. Espero que as barreiras geográficas não deturpem o entendimento do leitor não-porto alegrense (sorte sua).
EU E MEU BAIRRO

Viver entre Auxiliadora, São João e Higienópolis significa levar uma vida de altos e baixos. E eu não estou falando dos tropeços e reerguidas da classe média brasileira causada pelas mudanças na economia, tão pouco do vai e vem dos elevadores. Estou falando da topografia local.

Quando os açorianos escolheram um banhado para fundar a cidade, tudo que não queriam era sair dos planos. Mas os casais do Porto tiveram tantos filhos que povoar tudo em volta foi inevitável. Bairros periféricos, colinas para o sul, para o norte e até mesmo aterros no Guaíba – tudo habitado. Assim, dois séculos depois, no alto de um morro que antes era só horizonte, fui apresentado à minha cidade.

Não me queixo, mas se somos o lugar que moramos, não posso ignorar que cada decisão da minha vida de pedestre passa por subir ou descer uma ladeira. Desde os tempos de correr atrás da bola que descia a Von Kozeritz até hoje, quando toda manhã escolho entre o caminho mais longo e o mais íngreme.

Uso critérios definidos pela experiência, como fazem muitos vizinhos. Se está frio, melhor ir por vias mais acidentadas, aquecendo os músculos e ganhando tempo. Se o calor úmido nos atinge, o ideal é evitar o suor por ruas arborizadas e com pouco movimento, evitando o asfalto quase incandescente do verão.

Seja como for, se dizem que a alegria está no caminho, e não na chegada, não tenho como discordar. Enquanto os bairros que me cercam estiverem ao alcance dos meus tênis, seguirei Felicíssimo por ai.

6 Respostas para “Ao vento”

  1. lf Disse:

    Foi bem, o vizinho.

  2. Fe Disse:

    Bah! O túnel do tempo…. a Kozeritz e a Felicissimo, memórias de infância, das bodega da redondeza onde a piazada ia comprar picolé e chiclé. Depois de sair do Brasil descobri que o cheiro de bodega, por sinal, é universal. Entre em qualquer bodege que o aroma é o mesmo. Estupendo!
    Anyway, grande post.
    BTW, a próxima vez que vier ao BR, juro que aviso com antecedência para pegar baralho do super trunfo. Reserva um pra mim?
    Thanks!
    Fe

  3. Jävier Lönpog Disse:

    Sempre achei que Moinhos ficasse um pouco mais alá do Parcão.

    Espero que o censo corrija essa pequena gafe no próspero ano!

    Saudações, meu jovem!

    P.S.: Descobri a existência de um inferninho na Marcelo Gama quase na esquina com a Américo. Na placa em frente ao estabelecimento lê-se: “FORRA-SE SOFÁ”.

  4. Renata Menezes Disse:

    Vou imprimir e colar no elevador do prédio.

  5. Solon Disse:

    JAVIER: o ZH Moinhos, como bem explicado em sua capa, abrange os bairros Moinhos de Vento, Auxiliadora, Independência, Floresta e Rio Branco. além disso, sua área de distribuição é decidida conforme as centrais de distribuição da empresa, de maneira que ele também acaba chegando a certas partes de Higienópolis, Mont’ Serrat e arredores.

  6. Mirella Disse:

    If, Fe, os dois já estão convidados a escrever para o caderno… hehe

    Adorei, Mené. Beijocas estaladas!

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