Assim que tenho meu direito ao silêncio invadido pelo som do rádio do Táxi, me vingo invadindo a intimidade daqueles que falam por e ouvem por ali, mesmo que eles não dêem a mínima pra isso.
E foi assim que escutei a solicitação de um Táxi para o senhor Fujiwara. Não entendi o primeiro nome, mas fiquei atento, já que tenho amigos Fujiwaras e este está longe de ser um nome comum. Repetem e confirmo a suspeita, o pedido é de Aldo Fujiwara.
“Viu, Eder, é o pai do Juliano pedindo táxi ó, o seu Aldo” – Conto para o outro passageiro do Táxi, meu amigo Eder.
Antes da resposta dele, o motorista interrompe – “sim, ele mora ali na rua dos cajados, perto do mercado”.
Achei uma coincidência e tanto. Mas nada perto das declarações de Eder.
“Mas como, se ele ainda ta vivo? Mas como, se ele ainda tá vivo?”
Demorei muito tempo para entender que Eder entendera tudo errado. Imaginou que o táxi fosse na rua com o nome do pai do Juliano, o que significaria que já tivesse morrido para chegar a tal condição de batizar logradouros.
Demorei muito tempo mesmo. Só foi mais rápido que criar este monte de nomes falsos pra falar do Baldi, do Emiliano Urbim e de sua mãe Alice.
